22 março 2006

Imparcialidade?

Hoje fiz minha entrevista para estágio de conciliador no Juizado Criminal.
Em determinado momento me deram um texto para ler e interpretar. Era o relato horrível de uma mulher que teve seus dentes arrancados brutalmente pelo próprio marido. Para ser aprovado eu precisava demonstrar imparcialidade nas respostas - não podia tendenciar nem para ajudar a mulher, nem seu marido-animal.
A pergunta mais intrigante: "Quais foram os seus sentimentos diante da leitura deste texto?".
Cumpri meu papel de candidato e dei a resposta que eles queriam. Mas eu não resisti. Eu não tinha como mentir. Então, no início da resposta, escrevi algo assim: "Evidentemente, como qualquer pessoa, fiquei assombrado, profundamente estarrecido e indignado com tamanha brutalidade praticada por este sujeito...".
Depois que a examinadora avaliou e elogiou as respostas, disse que queria fazer uma observação. "Ficou muito bom, mas você nunca pode presumir o pensamento dos outros como você fez quando escreveu 'Evidentemente, como qualquer pessoa' ".
Eu não pude ficar quieto: "Isso eu sei, mas nesse caso do texto é a pura verdade! Quem não fica absolutamente revoltado com a animalidade deste sujeito?". A mulher me disse cheia de convicção no óbvio ululante: "Não... mas tem gente que pode pensar o contrário!". Eu respondi: "Meu Deus! Quem é que pode achar legal e justo um homem arrancando cruelmente e sem motivos os dentes de sua esposa depois de espancá-la até a exaustão? Temos que prender quem pensa assim!".
Todo mundo que estava na sala começou a rir.

1 Comments:

Anonymous WAGNER JUNIOR said...

É verdade rapaz, eu queria saber a opinião dessa senhora se fossem os dente delas arrancados, aí eu queria ver a imparcialidade dela!

5:58 PM  

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